"O elogio da The Economist é lisonjeiro e traz orgulho. Mas, como qualquer bom doce, a verdadeira doçura não reside apenas na cobertura exterior — reside no recheio, na massa bem feita, nos ingredientes de qualidade. Se o recheio for fraco, ou a massa estiver mal esticada, o pastel desmancha."
Hugo Monteiro, Diretor de Comunicação do BPF
Quando no século XVIII foi criado o Pastel de Nata, em Lisboa, estaríamos longe de pensar que este doce que se tornou um símbolo nacional, hoje presente em vários países do mundo graças à vontade dos Portugueses de continuarem a descobrir o globo dos negócios, seria retratado num artigo tão importante para Portugal, três séculos mais tarde.
As sweet as a Pastel de Nata, ou, "tão doce quanto um pastel de nata” foi a forma como a reputada revista económica The Economist anunciou a economia portuguesa como aquela com melhor desempenho em 2025, no topo de um ranking que compila dados económicos dos 36 países mais ricos do mundo.
O Forte crescimento do PIB, acima da média europeia, uma inflação controlada e o dinamismo do mercado acionista, permitiram a Portugal deixar para trás países como Espanha – a líder do ranking em 2024, tendo a Irlanda ficado em segundo lugar e Israel em terceiro. O artigo refere o Turismo como um dos impulsionadores, graças ao número crescente de estrangeiros com poder de compra que se têm mudado para o nosso país, aproveitando impostos mais atrativos.
Sem retirar importância ao setor do Turismo, importa relevar que há mais Portugal para lá do Turismo. A Nata portuguesa são também as Empresas que investem, os empresários que ajudam a levar o país para a frente, os empreendedores que arriscam, mesmo quando há nuvens no horizonte. São os projetos que impactam a economia real, são os desafios que se ultrapassam e a vontade de colocar Portugal no topo do mundo. E isto consegue-se através das empresas. É com elas que nos tornamos um país mais competitivo e produtivo, criando riqueza e crescimento económico, emprego e profissionais qualificados, inovando e modernizando, exportando e atraindo investimento para o nosso país.
Desenganem-se os que pensam que as empresas são apenas agentes económicos, pois são muito mais do que isso: são pilares estruturais que sustentam o desenvolvimento, o bem-estar social e a competitividade em Portugal. É para elas que no Banco Português de Fomento trabalhamos diariamente, conscientes de que a resiliência é também um símbolo nacional, num país que, há pouco mais de 10 anos, era intervencionado pela Troika, na sequência de uma crise profunda, e que dela saiu, também, graças à vontade e ao ímpeto dos nossos empresários.
Por tudo isso, vale a pena celebrar este reconhecimento internacional, sabendo, de antemão, que nem tudo é doce neste pastel de nata e que há ainda muito a fazer para manter este mood económico. Ainda não fizemos tudo.
O elogio da The Economist é lisonjeiro e traz orgulho. Mas, como qualquer bom doce, a verdadeira doçura não reside apenas na cobertura exterior — reside no recheio, na massa bem feita, nos ingredientes de qualidade. Se o recheio for fraco, ou a massa estiver mal esticada, o pastel desmancha.
Portugal pode hoje saborear um pastel de nata, mas está nas mãos de todos nós — sociedade civil, cidadãos, políticos e empresários — garantir que o recheio endureça, que a massa seja consistente, e que o sabor dure para além do momento. Só assim este "doce” valerá a pena no futuro.
Agora que todos comemos um bom pastel de nata e bebemos um café, vamos trabalhar para transformar este momentum num caminho sustentável.