#EditorialFomento - Melhoria Incremental: como as recomendações de controlo interno impulsionam a transformação

Notícia . 2026-04-07
Editorial Fomento
"A missão do BPF inspira-nos a fazer hoje melhor do que fizemos ontem e é neste percurso do BPF que as recomendações de controlo interno deixam de ser apenas um mecanismo reativo de resposta a desvios e tornam-se um motor de transformação que alimenta a cultura de melhoria incremental junto das pessoas, impulsionando soluções mais eficientes e inovadoras."

Luísa Valentim, Diretora Coordenadora de Controlo e Recomendações, BPF


A reflexão de Peter S. Pande mantém-se incrivelmente atual nas organizações: "We always have time to fix it, but we never seem to have time to do it right the first time.” Na verdade, quem nunca perdeu tempo a corrigir algo que poderia ter sido feito bem à primeira?

Em contexto de controlo interno, grande parte das recomendações nasce desta lógica: identificar falhas e corrigir. Este mecanismo é essencial, mas intrinsecamente reativo. Atua sobretudo sobre o que já aconteceu, sobre riscos que já se materializaram ou estiveram próximos de ocorrer, garantindo conformidade, mas nem sempre produz uma melhoria estrutural duradoura. Por exemplo, um procedimento pode ser correto e estar a ser cumprido por uma área, mas ainda assim o processo falhar – porque a eficácia depende da articulação consistente entre todos os intervenientes – não se mede por partes, mede-se no todo (processo end-to-end).

Portanto é necessária uma mudança de paradigma: da reação para a uma abordagem proativa e preventiva.

No BPF, a evolução passa por reforçar a passagem de uma lógica reativa centrada na implementação de medidas corretivas para um modelo preventivo que integra a melhoria contínua dos processos, mobiliza as pessoas e impulsiona, de forma sustentada, a inovação e a eficiência.

A missão do BPF inspira-nos a fazer hoje melhor do que fizemos ontem. Muitas vezes pequenas alterações consistentes, incorporadas no dia a dia, constroem a base sobre a qual transformações maiores se tornam possíveis. É essa consistência que, ao longo do tempo, aumenta a resiliência e reduz a necessidade de correções reativas.

Neste contexto, as recomendações de controlo interno são um instrumento da melhoria incremental - dão visibilidade, estruturam a ação, reforçam o rigor - mas não substituem uma cultura orientada para a melhoria incremental, contínua e participativa.

A melhoria contínua só acontece quando as pessoas estão no centro da mudança, porque são elas que identificam oportunidades e transformam pequenas mudanças em resultados duradouros. Uma cultura que incentiva a participação, a aprendizagem e a capacidade de transformar falhas em oportunidades de melhoria.

Evoluir implica, por isso, passar de uma lógica de "corrigir desvios” para uma lógica de "evitar a sua ocorrência”. Implica integrar o controlo no próprio desenho e execução das atividades, e não apenas na sua verificação posterior. Mobilizar as pessoas a incorporar uma cultura em que prevenir desvios, eliminar desperdício e sobrecarga se torna parte natural da forma de trabalhar. Para o efeito, a formação é fundamental e os indicadores KPIs/KRIs um instrumento para reajustar a rota.

E é neste percurso do BPF, que as recomendações de controlo interno deixam de ser apenas um mecanismo reativo de resposta a desvios, e tornam-se um motor de transformação que alimenta a cultura de melhoria incremental junto das pessoas, impulsionando soluções mais eficientes e inovadoras.