A banca promocional desempenha um papel essencial no financiamento do desenvolvimento económico e social, apoiando empresas, projetos públicos e iniciativas estratégicas que contribuem para o crescimento sustentável dos países. Para cumprir a sua missão, operam num contexto global complexo, marcado por desafios económicos, tecnológicos, ambientais e geopolíticos, que exigem uma gestão responsável e transparente dos riscos.
Perante estes riscos globais, revela-se importante a antecipação cenários, a preparação para diferentes evoluções do contexto económico e a adaptação das estratégias para continuar a apoiar a economia, mesmo em períodos de maior incerteza.
Uma cultura de controlo assegura que os recursos são utilizados de forma eficaz e responsável. O que se traduz na existência de regras, processos e mecanismos internos que promovem boas práticas, transparência e uma utilização criteriosa dos fundos, reforçando a confiança dos cidadãos, parceiros e entidades públicas.
A apetência pelo risco das instituições reflete a necessidade de conciliar a ambição de apoiar projetos com impacto económico e social com a preservação da sua solidez financeira. Este equilíbrio é fundamental, uma vez que a banca promocional assume riscos em áreas onde o mercado privado apresenta menor capacidade de intervenção, contribuindo para reduzir falhas de mercado e incentivar o investimento.
No âmbito do perfil de risco, o risco operacional representa também uma componente crítica, resultante de falhas ou inadequações de processos internos, pessoas, sistemas ou de eventos externos, incluindo riscos tecnológicos. A sua gestão implica a implementação de frameworks estruturados de identificação, avaliação e mitigação, tais como autoavaliações de risco e controlo, registo e análise de eventos de perda e planos de continuidade de negócio e recuperação de desastres. Na banca promocional, este risco pode ser agravado pela complexidade dos instrumentos financeiros, pela interação com múltiplos parceiros e pela gestão de programas públicos. A sua gestão passa por identificar fragilidades, prevenir falhas e assegurar planos de contingência para garantir a continuidade da atividade.
A melhoria contínua é um princípio-chave para reforçar a eficácia da instituição. Significa rever regularmente políticas, processos e controlos, aprender com a experiência e incorporar boas práticas nacionais e internacionais. Auditorias, avaliações internas e feedback dos stakeholders são ferramentas importantes para garantir que a instituição evolui e se adapta.
Por fim, a cultura de cumprimento das normas e da regulação (compliance culture) constitui um elemento transversal a todo o sistema de governação, controlo interno e gestão de risco. Envolve o compromisso da liderança (tone from the top), políticas e procedimentos claros, formação contínua dos colaboradores e mecanismos eficazes de monitorização e reporte.
"O cumprimento regulatório deve estar integrado nas decisões estratégicas e operacionais, reforçando a confiança dos stakeholders, a reputação institucional e a sustentabilidade a longo prazo."
Helena Barros, Diretora Coordenadora Risk Office, BPF