#EditorialFomento: A relevância dos Programas de Coinvestimento Diretos

Notícia . 2026-01-27
Editorial Fomento
"Os programas de coinvestimento constituem um instrumento poderoso de política económica, combinando capital público e privado, escrutínio reforçado e impacto multiplicado, para acelerar o desenvolvimento sustentável e competitivo da economia."

Nuno Mota, Diretor de Capital Direto, BPF


Os programas de coinvestimento promovidos por um banco promocional nacional desempenham um papel essencial na dinamização da economia, atuando como instrumentos capazes de combinar eficiência financeira, redução de risco e orientação estratégica do investimento.

A característica mais distintiva deste modelo é a alavancagem do dinheiro público através da mobilização de capital privado, permitindo multiplicar o impacto dos recursos públicos sem comprometer a sustentabilidade orçamental. Ao coinvestir lado a lado com investidores privados, como é o caso do Banco Português de Fomento transforma cada euro público num catalisador de investimento adicional, gerando efeitos multiplicadores que reforçam o financiamento disponível para empresas inovadoras e PME’s em crescimento.

Este mecanismo de alavancagem tem também uma dimensão de validação e credibilidade. O envolvimento simultâneo de investidores privados introduz um sistema natural de "dois pares de olhos”, onde cada oportunidade de investimento é analisada por diferentes entidades com competências complementares. A avaliação independente por coinvestidores reduz assimetrias de informação, aumenta a robustez da decisão e diminui o risco de seleção adversa. Quando um projeto passa este duplo escrutínio, ganha maior legitimidade e confiança, tanto para o mercado como para futuras rondas de financiamento.

Ao mesmo tempo, os programas de coinvestimento contribuem decisivamente para reduzir assimetrias de mercado. Em economias onde o acesso ao capital é limitado para empresas jovens, tecnológicas ou intensivas em I&D, a partilha de risco torna-se crucial. O banco promocional entra precisamente nestes segmentos, mitigando barreiras de financiamento e promovendo a transição digital, a inovação e a competitividade industrial.

A combinação de capital e acompanhamento estruturado leva também à profissionalização das empresas investidas. A presença de coinvestidores privados e públicos introduz práticas de governação mais rigorosas, métricas de desempenho claras e maior disciplina estratégica. A monitorização contínua, aliada ao expertise nacional, prepara as empresas para escalar e internacionalizar‑se.

Além do impacto direto nas empresas, estes programas fortalecem o ecossistema empreendedor e de capital de risco. Ao partilhar risco com investidores privados, o banco promocional estimula a atividade de fundos, family offices, aumenta o deal flow e cria um ciclo virtuoso de inovação e investimento. Este dinamismo traduz-se em mais emprego qualificado, maior produtividade e modernização económica.

Por fim, ao orientar o investimento para áreas consideradas prioritárias — como a transição energética, digitalização, coesão territorial e resiliência industrial —, o banco promocional assegura que a alavancagem público‑privada contribui para objetivos estratégicos nacionais de longo prazo.